quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O ridículo do Sábio contemporâneo.

Vivemos em uma sociedade em que o melhor talvez não seja o bastante. Algo que tem levado a um retrocesso no que diz respeito à busca do conhecimento e do pensamento crítico aprofundado e tem se transfigurado em afirmações cada vez mais absurdas sobre assuntos que nos são alheios, mas dos quais nos é imposto o conhecimento, dando-nos a falsa impressão de estarmos adquirindo uma espécie de inteligência plena e grande riqueza cultural, que na realidade são a fachada de um homem pré-moldado e pré-determinado em suas convicções.
A quantidade de informações às quais nos deparamos a cada dia faz-nos escravos de uma ideologia defensora da aprendizagem rápida e desprovida de criticidade, onde o simples saber do que se fala e não do que se trata tem sido o grande trunfo de nossas gerações, preocupadas mais em seus achismos do que na pesquisa e no conhecimento das verdades intrínsecas nas entrelinhas das convicções das massas.
A verdade é que nunca se falou tanto daquilo que tão pouco se sabe. Não é de maior sapiência aquele que se auto denomina um eterno aluno em busca da absorção das descobertas e experiências alheias do que aquele outro sábio que se diz conhecedor de todas as coisas e basta-se em si próprio? Há de se esperar um mínimo de humildade de um médico, advogado ou jornalista, ao ser indagado sobre alguma questão de Engenharia Mecatrônica ou Mecânica Quântica, em simplesmente responder negativamente e abster-se a ouvir e quem sabe até mesmo pesquisar sobre tal assunto, tomando para si próprio suas conclusões sem se atrever a entrar em seara diferente da sua, a divagar teorias como um “Mestre de todas as áreas”, como muitos tem tentado, num estranho desejo de mostrar plenos conhecimentos, mesmo fugindo de sua esfera de atuação, a respeito de Engenharia, Gastronomia, Direito, Economia, Política, Medicina, Astronomia, Psicologia, Clima, Cinema, e até mesmo novelas e Big Brothers, e toda e qualquer espécie de assunto.
O conhecimento é algo limitado. Não nos é dado em sua totalidade. O que devemos é nos ater às nossas áreas de conhecimento, sem deixar-nos levar pelo que se impõe nas diversas outras, mas ao mesmo tempo conscientizar-nos de que a criticidade a respeito de qualquer tema envolve aprofundamento científico e que ao nos entregarmos às críticas desprovidas de embasamento cairemos no ridículo da falácia.